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7. Os Lobos Caem Matando

“Monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem.” (Stephen King) Ana Rosa Arabella encostou a caminhonete na mesma encruzilhada da véspera, sob os primeiros raios de sol da manhã. Lucas já estava lá, terminando de se vestir com as roupas que havia trazido na mochila. Estava ofegante e com o rosto um pouco arranhado, e havia sangue seco nas mãos e na boca dele. Ana Rosa percebeu com tristeza o quanto ele parecia abatido. Se aproximou e ofereceu uma garrafa de água mineral gelada. - Pegue. Beba e se lave. Lucas aceitou sem dizer nada, despejando a água fria sobre a testa suada e o cabelo embaraçado. - Onde você acordou? – Perguntou Ana Rosa, olhando em volta. - No meio da trilha, como você disse. – Respondeu o garoto, com ar cansado. A mulher o encarou. - Viu? As coisas estão dando certo, guri. Sei que é difícil, mas você está conseguindo. Não machucou ninguém, e isso é importante... - Mas também não tenho controle ...

16. Época de Colheita

“É assim o destino... Doce e cruel.” (Dulce María) Ana Rosa bateu na porta com firmeza. Lucas bocejou, se arrastando até ela para abri-la. - O que...? Ana Rosa não o deixou falar. Apenas torceu a orelha de Lucas tão forte que ele deixou escapar um grito. - Perdeu completamente o juízo, guri? Quem você pensa que é para ameaçar a minha sobrinha? Garoto imbecil! Imbecil! As palavras dela eram ásperas, mas Lucas teve a impressão de que ela estava menos furiosa do que aparentava, e esfregou as orelhas, irritado, quando ela o soltou. - Violeta quer que eu te mande embora, e não a culpo. Aquilo é jeito de tratar uma moça que não te fez nada? - Violeta – cospe Lucas – me fez mais mal do que qualquer outra pessoa no mundo. Ela me esqueceu sem pensar duas vezes. - Sei! Está culpando a minha sobrinha por estar vivendo a vida dela depois que você a deixou. Muito maduro da sua parte! Lucas suspirou, baixando os olhos. - Eu estou envergonhado pelo o que eu fiz. Muito e...

15. Transformar Lágrimas em Rosas

“O verão sem você é frio como o inverno. O inverno sem você é mais frio ainda” (Lemony Snicket) A igreja era grande, e estava cheia. Violeta abaixou o capuz, imaginando se seu cabelo estaria totalmente arruinado. Chovia um pouco, e ela e Lena se entreolharam antes de entrar e ocupar um dos últimos bancos. - Não deveríamos estar aqui. – Sussurra Violeta, nervosa. - Por que? – Pergunta Lena, tentando parecer despreocupada. – Ninguém sabe que somos praticantes de bruxaria. Violeta engoliu em seco, e se levantou quando todos se levantaram e o padre começou a missa. Ele era um homem bem velho, mas sua voz era firme e ressoava pelas paredes de mármore até o teto de abóboda. Violeta não prestava muita atenção às palavras dele, levantando e se sentando novamente de forma automática quando as pessoas ao redor dela o faziam. Lena corria os olhos atentos pela igreja, e apertou a mão de Violeta. A garota levantou a cabeça e se forçou a prestar atenção nas palavras do s...