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17. Amor Amarrado

“Venha a mim, e fique preso Pelos poderes da Rainha das Encruzilhadas” (Simpatia para amarração de amor) A chuva estava muito forte lá fora, e os sons da tormenta chegavam até o porão. Ana Rosa desceu as escadas, levando apenas uma vela roxa no castiçal. Ela vestia sua capa ritualística preta e estava apreensiva. Poucas coisas eram capazes de assustar Ana Rosa Arabella, mas ela nunca havia tentado aquele ritual sozinha. Se concentrou ao traçar o círculo, cantando rezas quase tão antigas quanto a humanidade. Se sentou fora dele, derramando vinho e tabaco em seu interior. A velha bruxa iria apreciar a oferenda. Não demorou muito e a vela foi apagada por um sopro de vento anormal. Ana Rosa sentiu os pelinhos da nuca se eriçarem quando a visão luminosa da bruxa idosa apareceu, sentada em uma cadeira de balanço e costurando. - Meus velhos ossos doem nessas noites de tempestade. – Gemeu o espírito da bruxa. - Eu lhe trouxe vinho e tabaco, vovó. – Disse Ana Rosa, a ...

11. Ela não é uma Dama

“Finalmente caiu em si. E foi em queda livre.” (Clarice Freire) Na manhã seguinte, Violeta e Lena saíram juntas para ir ao colégio, como sempre. Mas, como nunca, havia dois garotos parados em frente ao portão. O coração de Violeta ficou alerta ao ver Lucas: o uniforme do Colégio, que sempre lhe parecera tão formal e sério, nele tinha um aspecto descolado e moderno. Talvez fosse a forma como ele estava amarrotado. Ele e Jaime haviam trocado comprimentos, um pouco constrangidos, e esperavam em silêncio pelas meninas. - Seu amor está esperando por você. – Provoca Lena. - Ao menos o “meu amor” não parece um cachorrinho, como o seu Jaime. – Devolve Violeta. - Não. – Concorda Lena, cheia de malícia. - O seu é mais como um lobo selvagem. Lena deu o braço para Jaime e apressou o passo, caminhando na frente para que Violeta e Lucas pudessem conversar com mais privacidade. Lucas a beijou no rosto e pegou a mão dela. - Vamos? - Vamos. Os dois começaram a d...

13. A Segunda Encruzilhada

“Chovi amor Em pessoas Que preferem Telhados” (Zack Magiezi) Violeta entrou no quarto arrastando os pés, e se sentou em frente a penteadeira. Encarou o próprio reflexo e não gostou do que viu quando tirou o colar de quartzo rosa do pescoço. Ela parecia cansada. Mais velha, até. Seus olhos estavam pesados. São esses os sintomas de um coração partido? Ela sabia que estava exagerando, que Lucas estava apenas se sentindo mal, por isso fora tão frio. Não quero nada sério no momento , as palavras dele. Violeta franziu os lábios, com desaprovação. - Ora, aquele garoto tem sérios problemas. A culpa não é minha se ele não sabe o que quer. Batidas na porta a fizeram se virar. Era Ana Rosa. - Precisamos conversar, garota. Violeta suspirou. - Precisamos mesmo? - É claro. Ou quer que eu te coloque de castigo, como uma criança? Afinal, você andou brincando com feitiços, não é? - Eu me responsabilizo pelos meus atos. – Cospe Violeta, sentindo o coração dispa...